O cara da vez...

Conhece o cara? O CARA? Então, vai conhecer. Seja em cinema, música, livros ou qualquer coisa que passe pela minha cabeça.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

SIGUR RÓS NA BÉLGICA

“A música expressa o que não pode ser dito em palavras, mas não pode permanecer em silêncio.” Victor Hugo.

Sempre que preciso escrever sobre algo que realmente mexeu comigo, mas que julgo que não conseguiria transpor em palavras minhas emoções, penso em como eu explicaria tudo aquilo para um extraterreste recém-chegado à Terra. Tudo descrito e explicado minuciosamente. Quando o assunto é a banda islandesa Sigur Rós, acho que seria mais fácil que este ser alienígena me explicasse o que aconteceu comigo - e com mais 90.000 pessoas – em uma noite ensolarada (!!) da cidade belga de Leuven, mais especificamente, no festival Rock Werchter.

O festival acontece em um grande espaço gramado afastado em 15km da cidade. Como estamos na Europa, há transporte gratuito para todos até o local dos shows que, apesar de comportar quase cem mil pessoas por dia (são quatro dias de festival), se mantém limpo e organizado. Aliás, limpo até a chuva transformar a grama em lama. Mas este é apenas um detalhe quando se olha as principais atrações do Rock Werchter: R.E.M. Chemical Brothers, Neil Young, The Verve, Jay-Z, Digitalism, Gossip, Hives, Kings Of Leon, Radiohead, Gnals Barkley, Kaiser Chiefs, Raconteurs e… Sigur Rós.

Admito que o grande motivo da minha felicidade quando os integrantes dessa banda Islandesa entrou no palco, foi que o Radiohead (banda que eu já havia assistido o show em Milão) seria, finalmente, a próxima atração. Não que eu esteja reclamando, mas correr de um palco para outro, o dia inteiro, cansa! Mas tudo começou a mudar nos primeiros acordes de “Svefn-g-englar”, música que eu já conhecia, mas não lembrava de onde – mas que, mais tarde, o Google me contou que era da trilha do filme Vanilla Sky. E foi então que tudo começou a mudar.
Porque, ao contrário do que eu disse acima, não foram “os primeiros acordes”. O vocalista e guitarrista Jonsi Birgisson, que toca seu instrumento com o auxílio de um arco para Cello, abusando do reverb e dono de um falsete impressionante, sozinho, já hipnotizaria qualquer espectador. Mas Birgisson está acompanhado. Aliás, muito bem acompanhado. O Sigur Rós é completado pelo trio Georg Hólm (baixo), Kjarri Sveinsson (teclado) e Orri Páll Dýrason (bateria), além de músicos de apoio que completam e dão mais vida à plenitude melódica com suas cornetas, violinos, trompetes e o que mais couber no particular planeta em que a banda vive e nos faz viver durante o show.

O som da banda cobre todo aquele espaço gigantesco. A indecisão entre fechar os olhos para oferecer apenas os ouvidos para ouvir aquelas palavras estranhas que Birgisson emite e ver todos aqueles músicos caracterizados com roupas, maquiagens e com um cenário simples mas belo, parece que não assola apenas a mim. Uma situação curiosa é que mesmo aqueles fãs de longa data não cantam as músicas – por elas serem no “infalável” islandês -, mas murmuram as melodias e explodem nos riffs. Se o rock é a desordem, o Sigur Rós faz algo diferente, está “fora da ordem”. Não é rock, não é eletrônico, não é sutil, não é barulhento. Não é música para um dia qualquer e sim música para transformar um dia qualquer em um dia diferente.

O recém-lançado álbum Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust foi a base do show – foram quatro músicas do disco - e o principal destaque vai para “Inní Mér Syngur Vitleysingur” que lembra – de longe – algumas músicas da banda canadense Arcade Fire. De longe, pois aos poucos a canção vai crescendo e crescendo e crescendo. Você fecha os olhos e pensa “como uma música que eu não consigo entender uma só palavra me faz sentir desse jeito?”. É então que a própria banda, em forma de mais uma obra-prima responde. “Gobbledigook” é a síntese daquela noite. Mais de uma dezena de pessoas em cima do palco cantando, batendo palmas, cores, luzes e então começa uma chuva de papel picado. OK, todos nós já vimos isso antes. Se eu não me engano até mesmos cantores sertanejos já usaram desse artifício para seduzir o público. Mas a canção se transforma em música tribal, abusando de tambores, e todos os integrantes entram em uma dança peculiar. Aqueles papéis, que aos poucos caem, faz cada uma das testemunhas se sentir parte da tribo.

O único ponto fraco do show foi o final. Ou melhor, não o final, mas o fim em si. Eu, que não estava esperando nenhuma música em especial (até porque seria bastante complicado gritar “toca ‘Viðrar Vel Til Loftárása’”, por exemplo), já tinha até esquecido qual seria o próximo show. Se existe algum problema nos festivais de rock, é esse: o curto tempo para as bandas se apresentarem. Verdade seja dita, o Sigur Rós conseguiu fazer com a atração seguinte se tornasse “apenas” uma banda de rock normal. E, aliás, essa próxima atração era o…

domingo, 13 de julho de 2008

RADIOHEAD EM MILÃO!

“PQP, ele é torto mesmo!”. Admito que esse foi o primeiro pensamento que me veio a cabeça quando vi Thom Yorke a poucos metros de mim. Meio ingênuo, talvez, mas o momento não me permitia reações racionais. A sensação de ver de perto alguma coisa que se espera há tanto tempo é indescritível e, quando chega a hora, os sentimentos de plenitude, felicidade, vibração e muitos outros, se misturam e se confundem. Como escrever um texto imparcial? Desculpe, mas é impossível.

O Radiohead entra no palco exatamente às 20h52. A multidão vai a loucura, mas não como se fosse a primeira vez. Eu olho para os lados e vejo um público acostumado a ter a banda tocando em seu jardim. Acho que a primeira vez era só pra mim, mas isso não me importa. É estranho pensar que aqueles cinco personagens venerados por mais de 30 mil pessoas são também pessoas normais (ou quase) que tocam seus instrumentos como qualquer outra banda, mas tirando sons inexplicáveis deles. O guitarrista Jonny Greenwood, passa mais tempo “brincando” com suas parnafenalhas do que tocando seu instrumento de origem, ou melhor, esmurrando-o com palhetadas.

Durante as quase duas horas de show a banda pouco se comunica com o público. Um “grazie”, um “Ciao” e é só. Mas não confunda isso com antipatia. O controle de palco que a banda exerce sobre o público é impressionante. São diversos bastões de luzes espalhados pelo palco que funcionam em perfeita sincronia com a explosão do grupo. Explosão essa que vem em forma de sutileza através da voz aveludada e gemida de Thom Yorke. Seja no piano, na guitarra ou apenas cantando (e dançando de maneira bem particular), o vocalista da banda parece sentir a emoção de cada palavra que diz. O baixista Colin Greenwood a todo momento convida o público para bater palmas e distribui sorrisos para seu colega de cozinha, Phil Selway que, como os outros integrantes, fica extremamente concentrado em seu ofício.

O set-list privilegiou as canções do novo álbum, In Rainbows mas a banda fez um ótimo apanhado de todos os seus discos anteriores (com excessão do Pablo Honey, de 1993). “Paranoid Android” levou as pessoas do segundo dia de show ao delírio da mesma maneira que “Karma Police”, no primeiro dia, gerou o mais bonito coro que já ouvi ao vivo. Mas o que menos importa em um show do Radiohead são as músicas em si. Evidentemente que a emoção de ouvir uma canção inesperada como “Just”, do The Bends, é incontrolável, mas, sinceramente, essa emoção é pequena se comparada a cada pausa, cada interpretação, cada luz que é sincronizada perfeitamente com os movimentos do grupo. Mas como segurar as lágrimas na inesperada aparição de “Lucky” no repertório?

Sorrisos é o que mais se vê nas caras vizinhas. É como se uma expressão dissesse: “Esses caras são foda e eu to vendo ao vivo” e a outra respondesse “Não é um dos dias mais bonito de nossas vidas?!”. É.

Setlist (17/06)

15 step Bodysnatchers All I need Lucky Nude Pyramid Song Weird Fishes/Arpeggi The Gloaming Myxomatosis Faust Arp Videotape Optimistic My Iron Lung Reckoner Everything in its Right Place Exit Music Jigsaw Falling Into Place Karma Police There There Bangers + Mash Climbing Up The Walls Street Spirit You and Whose Army? Idioteque

Setlist (18/06)

Reckoner 15 Step The National Anthem All I Need Nude Airbag The Gloaming Dollars And Cents Weird Fishes/Arpeggi Faust Arp How To Disappear Completely Jigsaw Falling Into Place A Wolf At The Door Videotape Everything In Its Right Place Idioteque Bodysnatchers House Of Cards There There Bangers And Mash Just The Tourist Go Slowly 2+2=5 Paranoid Android