O cara da vez...

Conhece o cara? O CARA? Então, vai conhecer. Seja em cinema, música, livros ou qualquer coisa que passe pela minha cabeça.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

MANDA BALA


O brasileiro de hoje em dia é um ser culturalmente medroso. Não o brasileiro comum, mas aquele com um intelecto diferenciado que poderia oferecer pro povão uma perspectiva diferente do país em que vivemos hoje em dia. Os americanos - por mais que mereçam todas as críticas - tem mais coragem (e motivos, logicamente) para cutucar a ferida da podridão da sociedade. Um ótimo exemplo é o Michael Moore, que por mais parcial que seja, expõe seu ponto de vista de maneira bem clara sem se preocupar com possível retaliações. Eu quero ver alguém colocar no É Tudo Verdade daqui um filme metendo o pau no Lula (mas metendo o pau mesmo, como Moore fez em Farenheit com George Bush). Não estou dizendo que sou contra - e nem a favor de Lula - não é essa a questão. A questão é alguém criar polêmica, mexer nessa situação miserável em que o país entá imergido.

Mas enquanto ninguém toma atitude, um americano resolveu arregaçar as mangas. Filho de brasileiro, Jason Kohn é o diretor de Manda Bala, filme que em 2007 conquistou o prêmio de melhor documentário em Sundance. A obra, através de entrevistas, traça uma curiosa rede entre um ranário, a indústria dos sequestros, dos carros blindados, da cirurgia plástica e, principalmente, da corrupção - tendo como maior alvo o político paraense Jader Barbalho.

Como vivo na principal cidade analisada pelo filme, sei que a situação não é bem essa. Pelo menos eu não conheço ninguém que já teve toda a família sequestrada, tem 3carros blindados e colocaria dois chips de localização dentro do corpo, mas também tenho consciência de que a coisa se caminha pra isso.

A descrição de um sequestro sofrido por uma personagem que teve suas orelhas cortadas por seus sequestradores só não é pior que as cenas (REAIS) de outros sequestradores mutilando outras vítimas de maneira impiedosa e cruel. Magrinho, o único sequestrador que cedeu uma entrevista é ainda mais frio que qualquer personagem do excelente "Notícias de uma Guerra Particular", de João Moreira Salles. Para ele não tem talvez, não tem erro. Mata, mas ajuda. É uma versão brasileira (note, mais cruel, menos ideológica) do Robin Hood.

E não adianta nós brasileiro dizermos que não é bem assim, porque é. "Banda Bala" não é uma baboseira como "Turistas" nem caricato como o episódio de Simpsons. É navalha na carne. Literalmente.

"Este filme não pode ser exibido no Brasil". Apesar desta frase dar início ao filme, seria muito importante que ele fosse amplamente discutido e levado a sério. Será que nós sabemos que dos 400 projetos inscritos no SUDAM, TODOS tiveram algum desvio de verba? Como o próprio filme diz, é extraordinárdio que um pilantra como Jader Barbalho seja um político corrupto até a alma, fique preso e ainda acabe eleito como senador. Ainda bem que Jason Kohn não conheceu Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães e outras figuras.

Quem quiser o filme, dê um toque....

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